disperso em nuvens de fumaça

06:55 @Tiabetok 1 Comentários



Aos poucos tragava. A caixa dizia ter gosto de baunilha, não sentia. Não tinha o paladar treinado às questões tabagistas, mas naquele momento estava fumando.
A cada nova baforada uma tossida. Voltava para si mesma e achava cada vez mais estúpida essa ideia de fumar, no entanto tinha de alguma forma controlar aquela ansiedade.
Tomou um café que também não é de seus hábitos, mas era inverno, e precisava de algo para aquecer-lhe por dentro, já que as poucas roupas que ele deixou ainda aqueciam-lhe o corpo.

Era o último cigarro, e a saudade ainda doía...

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O retrato de Dorian Gray

10:27 @Tiabetok 0 Comentários


O retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
Editora Abril - 
Coleção Os Imortais da Literatura Universal [1972]

Recentemente um amigo me disse que para entendermos um livro devemos lê-lo ao menos umas três vezes, e andei aderindo esta sua moda. Já havia lido o livro a um tempo atrás e o foco mudou todo ao ler esta segunda vez. Entendamos a história:

O livro começa com longas conversas entre lorde Henry e o pintor Basílio Hallward sobre sua maior obra, o retrato mais lindo e expressivo que houvera feito em toda sua carreira, eis que surge Dorian [o modelo do quadro] envaidecido de si mesmo onde expressa o desejo de permanecer eternamente jovem como no retrato. 

"Eu irei ficando velho, feio, horrível. Mas este retrato se conservará eternamente jovem. Nele, nunca serei mais idoso do que neste dia de junho... Se fosse o contrário! Se eu pudesse ser sempre moço, se o quadro envelhecesse!... Por isso, por esse milagre eu daria tudo! Sim, não há no mundo o que eu não estivesse pronto a dar em troca. Daria até a alma!" .
e que a cagada comece.
A obra faz várias menções a artistas de forma geral, e foi este o “meu foco” a primeira vez que li. Grandes bailes, a nata da sociedade e toda mediocridade e mesquinhes que se podia haver entre os aristocratas do século XIX, bebidas, cigarros, livros lidos, óperas vistas e todos os importantes afazeres de quem tinha muito dinheiro e nenhum trabalho. Divagando assim soa um tanto rude, mas agora, nesta segunda vez que li achei um livro romântico.
Talvez um romântico-confuso. O amor pela própria aparência [vaidade], o amor entre artista e obra [o que deixa –a meu ver- as claras uma certa tendência homossexual [comum entre “os artistas”] da parte do pintor], o amor por qualquer manifestação de arte,  o amor, o amor, ah... o amor.... 

Um dos primeiros fatos realmente interessantes do livro é quando o ainda Jovem Dorian apresenta sua “futura noiva” ao Lorde e a Basílio, onde sua apresentação como atriz foi um total fiasco proposital e por conta disso há um rompimento entre os pombinhos, eis que a garota se mata [eba] e depois disso Dorian passa a perceber as mudanças em seu retrato: maldade, cinismos e outras expressões faciais e mais a frente a mudança física dos anos. Sem contar os trechos maravilhosos que sucedem após o episódio:

“Quero conservar dela algo mais do que a recordação de alguns beijos e de alguns fragmentos de palavras patéticas.”
“Há sempre qualquer coisa de ridículo nas emoções das pessoas que deixamos de amar.”
"Se você tivesse casado com essa moça, teria sido infeliz. Naturalmente, trata-la-ia com bondade. Podemos sempre ser bons para com as pessoas que nada representam para nós. Ela, porém, teria descoberto que você lhe era completamente indiferente. E quando uma mulher descobre isso em seu marido, torna-se horrivelmente desleixada, ou passa a usar chapéus muito elegantes pagos pelo marido de outra mulher. "
entre outros

Posso tê-lo romantizado mais que o normal por conta do meu atual estado de espírito [leve e feliz no momento] onde coisas bobas me tocam ... acho que estou ficando melosa... voltemos: Além desta dualidade, Oscar Wilde nos trás um paralelo entre loucura e sanidade mais um pouco de fantasia. A mudança de personalidade de Dorian ao longo dos anos, seus crimes e medos o atormentando, o espanto das pessoas e os comentários de que “vendeu a alma ao diabo para manter-se jovem” e por fim, em um ato desesperado de livra-se de todos estes fantasmas, sua morte. Ok, o livro é cheio de descrições longas e por vezes chatas aí no ponto G da história toda Dorian Gray se mata e só me dão duas folhas sobre isso??!!! Porra gente, sacanagem. Aí o livro acaba com uma morte gloriosa digna de filme dos anos 70 !!!

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esperas

09:01 @Tiabetok 0 Comentários


Das idas, vindas e das que não foram
Dos risos que deixamos de dar
Dos resquícios de brigas
E de tudo que somos
E o que mais nos impede
De conjugar o verbo amar

Não faz mal, meu bem
Só pensar que as coisas não são assim
Deixar de buscar constantemente
Seu fim
Esperando que os sentimentos acordem
E anseiem
Um pelo outro e
O outro pelo um

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